terça-feira, 27 de setembro de 2011

Barulho - Uma Viagem Pelo Undeground Do Rock Americano


Dia 24 de setembro de 2011, sábado último, foram comemorados os 20 anos do lançamento do álbum Nevermind, da banda Nirvana. O álbum, considerado o mais importante da década de 1990, não só projetou os holofotes para o trio de Seattle liderado por Kurt Cobain, mas também para uma nova onda musical que definiu a então denominada "Geração X": o grunge.

Contudo, poucos sabem de como era a realidade daquela época, principalmente, em torno do cenário musical alternativo que, de certa forma, foi relevante para o estouro do segundo álbum do Nirvana. Por isso, este post é para recomendar a leitura do livro Barulho - Uma Viagem Pelo Underground Do Rock Americano, do jornalista André Barcinsck. O texto abaixo é uma resenha escrita, que foi enviada para avaliação, na tentativa de ser publicada por uma revista universitária: 

"1991. Há vinte anos, o repórter André Barcinski empreendeu uma viagem que, para muitas pessoas, já acostumadas com suas vidinhas seguras, seus empregos estáveis, uma rotina de casa-trabalho-trabalho-casa e fins-de-semana desperdiçados em frente à TV, fora considerado insana: viajar pelos Estados Unidos, com o intuito de explorar e registrar o que havia de “mais radical na música”, com uma verba que faria o mais miserável dos miseráveis apiedar-se dele.

A extrema curiosidade em estar imerso na “parte mais ruidosa da história do rock” tornou-se a gênese para o livro Barulho: uma viagem pelo underground do rock americano, com texto e fotos do próprio Barcinski, lançado pela editora Paulicélia, no ano de 1992. Na obra, o jornalista transcreve entrevistas com alguns artistas e grupos que, atualmente, são verdadeiros ícones: Jello Biafra (ex-Dead Kennedys), Joey Ramone, Cramps, Red Hot Chili Peppers, Ministry, Mudhoney, Nirvana entre outros. Sendo que, seu encontro com este último, foi bem no auge do lançamento do álbum Nevermind (que completa 20 anos no mês de setembro) e bem no olho do furacão do que se conhece, hoje, por movimento grunge.

O texto, como é de se esperar sobre uma publicação a respeito do estilo que, no seu início, tirou o sossego de muitos pais e educadores pela alegação de que incitavam os jovens à rebeldia, é bem descontraído. Tão bem descontraído que beira a um humor corrosivo, quando no capítulo dedicado às bandas de Nova York como o Sheer Terror e as Lunachicks, em que o autor já não esconde sua insatisfação devido a certos momentos de nostalgia e “choradeira” em trechos das entrevistas. Ou quando não, o espanto por conta do papo “maluco beleza” concedido pelos integrantes do Red Hot Chili Peppers, em que o vocalista Anthony Kiedis encerra o tête-à-tête dando-lhe um autógrafo com os seguintes dizeres: “Que os freaks da natureza invadam a sua sétima dimensão astral”.

Mas o livro também reserva uma carga de emoção aos leitores que desejariam ter testemunhado aquela época tão ímpar, bem explicitado no capítulo Seattle. Neste momento, André detalha, na condição de um dos poucos privilegiados que acompanhou aquele cenário underground, o massacre sonoro que era um show do Nirvana: “Começam os acordes de Smells Like Teen Spirit. Sempre ouvi amigos mais velhos falando da emoção que foi ouvir os Sex Pistols tocando Bodies em 77, ou o Black Sabbath matando com Paranoid, lá pelos idos de 73. Nunca tinha visto uma banda no auge, tocando um pretendente a clássico. Agora sim. Só de saber que a banda está acontecendo ali, na sua frente, é um prazer. É bom saber que não é nenhum desses shows nostálgicos que aportam no Brasil, com dez de atraso. O Nirvana é carne fresca, e Seattle é um grande açougue”. Um depoimento para deixar qualquer fã com inveja. Very cool!

As fotos são um espetáculo a parte e mereciam, num futuro não tão distante, uma edição de luxo. Com exceção das que ficam na parte central de Barulho, juntamente com os pôsteres, todas são em preto e branco, imprimindo um aspecto lúgubre, porém fascinante, aos acontecimentos presenciados pelo jovem e intrépido repórter. Tal alegação pode ser verificada nas páginas tributadas aos Cramps, em que, num show realizado em São Francisco, um fã protagoniza uma cena, no mínimo, mórbida: ele entrega ao já finado vocalista da banda, Lux Interior (morto devido a complicações cardíacas em fevereiro de 2009), as cinzas de um amigo que era, também, fã da banda. Era desejo desse amigo ser cremado e ter as suas cinzas entregues a Lux. Neste exato momento, as lentes da câmera de André tinham entrado em ação, como ele bem descreve: “Na foto, Lux está apontando para um rapaz na platéia. Por uma sorte fotográfica, o cara é a única figura iluminada de todo o público”.

Enfim, Barulho: uma viagem pelo underground do rock americano torna-se um item obrigatório no acervo para aqueles que gostam de histórias excêntricas do mundo do rock, capaz de satisfazer tanto os veteranos desse tipo de leitura quanto os leitores calouros." 

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