Crônicas do Calabouço
"Às vezes tenho ódio de viver, mas tenho medo de morrer." - do filme Bang Bang! Você morreu
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Crônicas do Calabouço: 2012 - O ano do Batman
Crônicas do Calabouço: 2012 - O ano do Batman: Assim como em 2008, este ano será "o ano do Batman". Depois de uma sequência over power , o diretor Christopher Nolan promete encerrar - de...
2012 - O ano do Batman
Assim como em 2008, este ano será "o ano do Batman". Depois de uma sequência over power, o diretor Christopher Nolan promete encerrar - de forma épica (como anunciado no trailer) - a trajetória do Cruzado de Capa iniciada em Batman Begins (2005). Contudo, além de estrelar um novo longa-metragem, em 2012 completam-se vinte anos do lançamento de Batman: A Série Animada. Além de ser considerado cult, o desenho animado, sob a tutela de Bruce Timm, abriu caminho para desenhos como o do Superman e da Liga da Justiça. Não só isso, mas também provar que desenhos baseados em super-heróis das histórias em quadrinhos podem ser bacanas sem serem infantilizados.
Batman - O Cavaleiro Das Trevas Ressurge
Aproveitando, aqui vai o primeiro episódio da série animada. Espero que lancem a versão em Blu-Ray.
Asas de Couro - 1ª temporada - Episódio 1
Batman - Série Animada - 1º Episódio - Asas de Couro - 1ª Temporada por LyuChan no Videolog.tv.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Chumbo Grosso
Vez ou outra, na TV aberta, são transmitidos filmes que valem a pena serem conferidos. Esse é o caso do filme Chumbo Grosso (2007), exibido ontem pela Rede Record.
Na trama, o policial Nicholas Angel (Simon Pegg) é transferido de Londres para a bucólica cidade de Sandford. Defensor ferrenho da lei e da ordem - na melhor representação do que é ser um "Caxias" - o agente de polícia se depara com situações bastante atípicas de sua rotina: delitos cometidos à vista de todos os cidadãos e que, os próprios, não dão a menor importância. Uma verdadeira atmosfera de camaradagem - não muito diferente do que ocorre no Brasil. Isso, sem mencionar, uma delegacia em que todos os seus funcionários estão mais preocupados em comer bolo de chocolate e sorvete.
Entretanto, tudo isso muda quando uma série de assassinatos tem início e Angel resolve investigar a fundo, levando-o a descobrir segredos sombrios sobre a comunidade.
Abusando de uma edição vertiginosa; de referências a filmes policiais que são pura testosterona, como Bad Boys II e Caçadores de Emoção, e de um humor politicamente incorreto; o diretor Edgar Wrigth (do também excelente Scott Pilgrim Contra O Mundo) assina uma película que merece ser conferida.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A Teia Do Aranha #10
Começa com um desenho de página inteira. O Homem-Aranha balança-se pela cidade de Nova York e pensa consigo: "A cidade está quieta esta noite! Aliás, quieta demais! Como a calmaria antes da tempestade!" Assim, tem início a história, escrita por Stan Lee, em que é apresentado o vilão Gatuno - um ladrão que usa artefatos tecnológicos (todos de sua autoria) para praticar seus crimes.
Publicada originalmente no ano de 1975, nos Estados Unidos, a narrativa foi lançada pela Editora Abril, em terras tupiniquins, em 1990, pelo título A Teia Do Aranha em sua décima edição. É possível notar algumas discrepâncias, por parte dos editores brasileiros, em relação a temporalidade. Em uma ligação que Peter Parker faz a namorada Gwen Stacy, esta diz ao telefone: "Bem, já que o Tom Cruise não sabe o número do meu telefone... só pode ser o Peter Parker" - lembrando que o primeiro filme do astro hollywoodiano data de 1981!
Stan Lee, como sempre, faz jus à fama de gênio dos quadrinhos quando foca, ao mesmo tempo, nas proezas heróicas de seus personagens e em seus dilemas humanos. Quando Peter caminha pela cidade e reflete sobre a sua vida da seguinte forma: "Que noite! Não estudei... não dormi... e ainda perdi a garota que amo! Aposto que aquele limpador de janelas não tem a metade dos meus problemas". Só que, o limpador de janelas a que o jovem se refere é Hobie Brown, o vilão Gatuno, que, ao observar os transeuntes abaixo, tem pensamentos semelhantes aos do Aracnídeo: "Por que eu não posso ser como os outros lá embaixo? Por que nada dá certo pra Hobie Brown?" Por apresentar personagens tão falhos, não é à toa que Lee está para os quadrinhos assim com Albert Einstein está para a Física.
Para quem quer ser um leitor voraz dos gibis do Homem-Aranha, aqui vai a dica.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
O Dia Perfeito
Algumas vezes, eu me atrevi a dizer que, determinada ocasião, me proporcionou o "dia perfeito": conversar com aquela garota que eu tava afim, uma tarde inteira, sem interrupções; passar no vestibular em primeiro lugar (sendo que não influiu em nada depois que eu terminei a graduação, pois eu não consegui um emprego decente depois disso); beber muita cerveja sem sequer vomitar e outras coisas que me fariam estampar um sorriso de orelha à orelha. Entretanto, se eu fosse escolher uma data para morrer, e entenda-se morrer feliz, seria depois qualquer uma depois do dia 14 de novembro. Por quê? Por conta do último dia do Festival SWU.
Pô, meu! Quando, em um único dia, alguém teria a oportunidade de curtir as principais bandas que moldaram o rock nos anos 1990? Alice In Chains (Tudo bem! O Layne Staley morreu em 2002 e o baixista Mike Starr, em março deste ano), Stone Temple Pilots (meteram o pau neles por conta do último álbum, mas mesmo assim os caras continuam muito bons), Faith No More (que não param de postar fotos, no site oficial da banda, apreciando a culinária brasileira), Sonic Youth (que foi uma das principais influências do ícone do grunge, Kurt Cobain) e Megadeth (fundada pelo então problemático Dave Mustaine, após ser expulso do Metallica, e que compõe o Big Four do trash metal).
Diante dessas bandas que marcaram a minha adolescência, eu morreria feliz, mas muito feliz mesmo. Abaixo, só um aperitivo do que vem por aí.
Pô, meu! Quando, em um único dia, alguém teria a oportunidade de curtir as principais bandas que moldaram o rock nos anos 1990? Alice In Chains (Tudo bem! O Layne Staley morreu em 2002 e o baixista Mike Starr, em março deste ano), Stone Temple Pilots (meteram o pau neles por conta do último álbum, mas mesmo assim os caras continuam muito bons), Faith No More (que não param de postar fotos, no site oficial da banda, apreciando a culinária brasileira), Sonic Youth (que foi uma das principais influências do ícone do grunge, Kurt Cobain) e Megadeth (fundada pelo então problemático Dave Mustaine, após ser expulso do Metallica, e que compõe o Big Four do trash metal).
Diante dessas bandas que marcaram a minha adolescência, eu morreria feliz, mas muito feliz mesmo. Abaixo, só um aperitivo do que vem por aí.
Check My Brain (Alice In Chains, do álbum Black Gives Way To Blue - 2009)
Epic (Faith No More, do álbum The Real Thing - 1989)
Plush (Stone Temple Pilots, do álbum Core - 1992)
Sugar Kane (Sonic Youth, do álbum Dirty - 1992)
Symphony of Destruction (Megadeth, do álbum Countdown To Extinction - 1992)
domingo, 6 de novembro de 2011
Nirvana (uma raridade encontrada)
O Nirvana, após 17 anos do seu fim - marcado com o trágico suicídio de seu vocalista, Kurt Cobain -, ainda é objeto de culto. Além do material lançado em comemoração dos 20 anos do álbum Nevermind, está disponível um show realizado em 1989. O áudio do show, realizado em Massachussetts, foi recuperado por Duane Bruce, ex-DJ da rádio de Boston WFNX.
Confira o show na íntegra, logo abaixo:
01 Live Set by Duane Bruce
Confira o show na íntegra, logo abaixo:
01 Live Set by Duane Bruce
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Enquanto isso, no calabouço...#4
MAX,
por Natasha Romanova
O que narro aqui foi um dos casos mais fascinantes que aconteceu comigo, nos meus longos anos de psiquiatria. Eu estava em meu consultório quando um amigo pediu que eu atendesse Max, mas não me deu nenhum detalhe sobre ele.
Max não era um homem vulgar, longe disso. Ao contrário era um homem raro. Inteligente, espirituoso, bem humorado, um verdadeiro artista. Bom gosto musical, poucos amigos. Falava somente o necessário, mas o suficiente para ser alvo de admiração. Não julgava ninguém e ainda por cima era de uma fidelidade assustadora. O que mais apreciei em Max foi sua inabalável fé na humanidade. Era um homem feliz.Tinha seu emprego. Muito caseiro, ia de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Na hora do almoço pegava algumas fitas de vídeo, para passar suas noites.
Um dia, Max acordou mais tarde do que o normal. Achou estranho sua gata não o acordar como sempre fazia. Levantou-se, ainda sonolento, colocou os óculos, acendeu um cigarro. Procurou por toda a casa pela gata, viu o prato de comida dela intocado. Começou a achar estranho esses sumiços repentinos de Felícia. Por vários dias ele saia de casa na madrugada, e rodava pelo condomínio atrás dela, chamava, chamava e ela não atendia. Ia deitar-se e tinha pesadelos. Amava sua gata. Max em seus pesadelos via Felícia morta, foi aí que resolveu falar com amigo que eu comentei no início. E este aconselhou-o a procurar-me. Ele assim o fez.
Na verdade, Felícia, já havia morrido há muitos meses, mas o trauma foi tão grande, que ele deixou-se levar por uma fantasia de que era mentira, que ela continuava viva. Ela tinha 7 anos e ele a tratava como se fosse um pessoinha de verdade. Se davam super bem. Eram carinhosos um com um outro. Quando ele chegava ela reconhecia o barulho do carro e corria ao encontro dele. Assistiam TV juntos, e tinham aquela relação que todo mundo conhece e já sentiu com seu animal de estimação. Ele sentia-se culpado pela morte dela. Felícia adoeceu e ele levou-a a vários veterinários. Nenhum soube diagnosticar o que ela tinha. Até que um dia, um deles disse que ela tinha que ser operada. Ele pensou muito e resolveu assumir o risco. Ela morreu. Max não agüentou. Sofreu desesperadamente. Foi então que os amigos, família e vizinhos começaram a notar seu estranho comportamento. Apesar de ser normal em tudo, Max tinha esse desvio. Continuou a achar que Felícia vivia. Comprava ração, saía com “ela” ,duas vezes ao dia, pelo condomínio, para ela fazer as necessidades, trocava a água, e ficava falando sozinho pela casa como se ela ainda estivesse lá. Ninguém se importava com essa maluquice. Aceitavam bem. Os amigos chegavam e ele apontava para o nada mostrando como Felíciaestava gorda e brincalhona. E assim continuava sua vida normalmente.
Deixei Max bem a vontade. Ele então começou a falar sobre a gata, sobre seus gostos, mas não falava muito de sua vida pessoal. E aos poucos foi se recordando de tudo, embora não admitisse totalmente a idéia de que ela havia morrido. Pacientemente, fomos trabalhando no sentido de que ele tinha que assumir essa realidade. Apesar de Max ainda continuar vendo Felícia de vez em quando, sentindo que ela estava presente, com o tempo, estas “visões” foram tornando-se raras. Max finalmente não a viu mais. Convenceu-se de sua morte. Assumiu sua dor e seu pesar. Estava curado.
Hoje passou aqui no meu consultório para receber alta. Conversamos sobre muitas coisas, tornamo-nos bons amigos. Disse-lhe que já estava bem, que não precisaria mais vir ao consultório, estava liberado para recomeçar sua vida. Max me agradeceu e disse-me com um enorme sorriso:
- Doutor, obrigado por tudo. Quem vai ficar tão feliz quanto eu será Kelly, minha esposa, o Sr. pode ligar para ela e dizer que estou curado? Kelly tem sido muito compreensiva e paciente, ter me agüentado esse tempo inteiro.
- Kelly ? - Perguntei eu surpreso - Não sabia que você era casado, mas claro, com prazer, ligarei agora mesmo.
Peguei o telefone e disquei o número da casa de Max. Uma mulher atendeu com uma voz meio fanhosa:
- Residência do Seu Max.
- Gostaria de falar com Kelly, a mulher dele, por favor.
- Sinto muito moço, mas a D. Kelly morreu faz mais de um ano.
Gostou? Não gostou? Comente aí, logo abaixo! Sugestões de textos envie para ronaldo_grunge@hotmail.com. Como sempre, a imagem deste post é de uma miniatura produzida por Mauro Jucá.
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