Vício
Tá...eu sei...
Tudo bem...
Eu vou conseguir, claro!
Sem dúvida... como não???
Minto...
Não está tudo bem...nem sei se vou conseguir.
Não sei por quanto tempo mais irei agüentar.
Quase duas semanas. Merda!!!
A ansiedade me domina.
A irritação também.
Não consigo nem mais fingir.
Tudo me irrita.
Estou mal humorada, gritando à toa, xingando as pessoas.
Com uma cara de quem comeu e vomitou em seguida.
E olha que nem estou na TPM... imagine....
E a única coisa que escuto é: "você está certa, é o melhor pra você”.
Como alguém pode ter a ousadia de saber o que é melhor pra mim?
Mas resolvi, pensei, coloquei na balança e vou fazer exatamente isso, o que todos querem que eu faça: vou deixá-lo de uma vez.
É... vou sim. Está decidido.
Não sei bem como vou fazer isso.
Só a idéia já me deixa meio mal, me atormenta.
"Ruim com ele, pior sem ele”.(De quem é essa frase idiota?).
Já sinto tanto a sua ausência...
Já faz parte de mim...
Sinto falta do seu cheiro, sinto falta de tocá-lo...
Faz quanto tempo que estamos juntos?15? 20? Um milhão de anos?
Sempre juntos! Sempre...sempre.....
Na alegria, na tristeza, na raiva e até mesmo na ausência total de sentimentos.
Quando não estava comigo, logo saía correndo para encontrá-lo.
No meio da noite acordava e sabia que estava por perto, bastava eu esticar o braço e senti-lo.
"Mas é o melhor", todos dizem: "deixe-o de uma vez".
Tentei. Como tentei. Mas não consegui.
Tentei até substituí-lo, mas nada é igual ao seu calor, seu sabor, sua magia...
E assim, contrariando todo mundo e até a mim mesma, continuei os nossos contatos, às escondidas, quando não tinha ninguém por perto para olhar, para acusar.
Deliciando-me a cada toque, a cada encontro rápido e furtivo, no meio da rua, nas calçadas desertas.
Hoje não agüentei e fugi em pleno horário de trabalho e lá mesmo no banheiro das mulheres nos
encontramos, e como se fosse a primeira vez, sem o menor escrúpulo, toquei-o, acariciei-o, cheirei-o,
entreabri meus lábios e o senti junto aos meus lábios úmidos.
Respirei forte e pensei. “Será só mais essa vez. Eu prometo (não sei a quem quero enganar)”.
Tirei o isqueiro do bolso e acendi o meu Marlboro.
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P.S.: A imagem deste post são miniaturas, em seu processo de criação, feitas por Mauro. 