terça-feira, 11 de outubro de 2011

Origens dos Super-Heróis Marvel nº6


No universo dos quadrinhos de super-heróis, se tem algo com mais cara de projeto caça-níquel são as famosas sagas que começam com "A Morte de...". Afinal, quando eles matam um personagem que consideram irrelevante e depois percebem a burrada que foi feita, sempre inventam um jeito mirabolante de trazê-lo do além-túmulo. E isso não só foi feito com personagens coadjuvantes, mas também com ícones como Super-Homem, por exemplo - no arco mais polêmico dos anos 90, A Morte do Superman.

Porém, poucos sabem como isso começou (ao menos, segundo minhas pesquisas, já que não encontrei outros dados que comprovem o contrário). Tudo isso teve origem nos anos 1970. Na época, Stan Lee deixava o cargo de roteirista das suas criações na Marvel para ocupar o cargo de editor-chefe da empresa. A partir daí, quem assumiu o argumento das histórias do Aracnídeo foi um jovem, nos seus vinte e poucos anos, chamado Gerry Conway. Conway deu prosseguimento ao trabalho de Lee: Peter Parker ainda era um universitário, namorava Gwen Satcy e continuava com seus problemas financeiros ao mesmo tempo em que combatia o crime. Entretanto, apesar de jovem, o roteirista mostrou a que veio: junto com o desenhista Ross Andru - que ilustrou boa parte de suas histórias - criou o personagem Justiceiro, cuja primeira aparição foi em uma edição do Cabeça-de-Teia. E, além disso, escreveu uma das tramas de maior repercussão do Homem-Aranha: "A Noite Em Que Gwen Stacy Morreu"

A concepção desse clássico teve seu ponto inicial da seguinte forma: Jhon Romita Sênior (desenhista que supervisiona o trabalho de Conway naquela época) propôs a ideia de matar a namorada do herói, já que Peter Parker, há tempos, não enfrentava uma crise pessoal digna de destaque. Stan Lee não fez objeção e Gerry, como ele mesmo disse anos depois, adorou "as possibilidades dramáticas". Além de sempre ter achado Mary Jane uma opção melhor para compor o par romântico. Contudo, apesar da história ter alcançado o status de antológica no universo dos quadrinhos, teve uma recepção muita negativa pelos fãs naquele período. Cartas e telefonemas, condenando a editora por matar "a donzela indefesa" de um super-herói (a primeira que se tem notícia), foram incontáveis. Stan chegou até a ser encurralado, numa conferência em uma universidade, por alunos insatisfeitos pela morte da personagem. Diante disso, Lee exigiu que Gwen fosse trazida de volta. Gerry alegou ao editor-chefe que não havia possibilidade, já que o lema da Marvel, ao menos naquele tempo, era que "quando alguém morria, permanecia morto" (!). 

Perante o dilema de satisfazer a vontade do seu editor e de não desrespeitar o luto dos leitores, o roteirista pensou, pensou e pensou até perceber, segundo o próprio relata, que trazer Gwen Stacy de volta à vida era algo fadado ao fracasso. Mesmo assim, ele encontrou um meio-termo: um clone. Origens dos Super-Heróis Marvel #6 contém a primeira história de um personagem que morre e depois volta. E o motivo é senão por conta de um "erro editorial". E algo que é reproduzido durantes décadas. Ao menos, Gerry Conway reconheceu que o melhor que deveria ter sido feito era "aguentar as pontas" até tudo se acalmar e o público aceitar Mary Jane. Pelo que se vê hoje em dia, tenho que concordar com O Cara Dos Quadrinhos, em uma conversa que tivemos há algumas semanas, que é devido a isso que muitos deixam de ver as HQs de super-heróis como forma de arte. E sim, somente como produto cultural.